quarta-feira, 15 de abril de 2009

Don't worry... é só jornalismo...

E não é que eles fizeram de novo?

Parece até que é uma campanha corporativa das Organizações Globo, achincalhar o marketing. (Vide matéria de 03/09/08 neste blog).

Dizer só isso assemelha-se à imagem de um pires de café: muito pequeno e muito raso. Há algo mais por detrás. Tem que haver. Palpito que uma das razões é a indigente formação dos jornalistas no que diz respeito a temas mercadológicos.

Embora vivam - vivamos todos - mergulhados em mercados, múltiplos, avassaladores, os coleguinhas correm a negá-lo, a bater nele. Quase uma ideologia. E xiita.

É mercado de trabalho, mercado de arte, mercado livre. É consumo de celular, de cerveja, de banda larga. Mas se há um culpado, se há um demônio, don't worry... é só marketing...

Senão vejamos

Hoje, o jornal dos Marinho estampa em sua página 2: "show de marketing", aludindo as ações midiáticas do ministro Nelson Jobim (de arma em punho) e do governador Sérgio Cabral (vestido à judoca). Ora, Deus, são só poses! Desde que foi inventada a máquina de fotografar, os políticos posam à larga. No cockpit de um jato, a bordo de um submarino, carregando um recém-nascido. Isto não chega a ser nem factóide. É só pose mesmo.

Falta a disciplina "Mercadologia" nos currículos de Jornalismo. E então temos não só a má vontade, mas, pior, a ignorância.

Na mesma edição do jornal, na crítica do novo álbum de Caetano Veloso, o preconceituoso título: "Além de toda a teoria e do marketing, disco se impõe por boa safra de composições". Mamma mia! Será que não se pode realizar um cursinho de marketing "in company" na redação ou então uma parceria básica com uma dessas casas do saber que dê direito a publicitário estrelado e professor da EcoEcoEco para ensinar aos cabras que marketing não é só a propaganda, a comunicação que se vê e ouve, mas tudo o mais que "consumimos"; produto composto-gravado-editado-impresso-embalado-estocado-distribuído? E que se não existisse marketing sequer estaria o escriba a tecer, na mídia, seus comentários contra ou a favor de qualquer coisa, pois nem emprego teria?

Por fim, a matéria publicada no último final de semana. O título já diz tudo: "FH diz que PAC é mais marketing que realidade". Tsc, tsc, tsc. Que desserviço à boa informação! O ex-presidente fez, sim, uma alusão às ações de propaganda do PAC. Isto sim, propaganda. E aí, cabe ao ex-presidente, ou a qualquer um de nós meros mortais, criticar uma propaganda vazia, de algo que não existe. Uma ponte que vai a lugar nenhum... uma estação de metrô com cinco placas diferentes de inauguração (experimente passear pela estação Cantagalo, no Rio de Janeiro). Mas, como dói aos veículos de comunicação baterem naquela atividade que lhes rende o oxigênio... Fica mais fácil bater no tal do marketing, afinal uma palavrinha contrabandeada, que nem tradução conseguiu na nossa língua.

sábado, 28 de março de 2009

Comentário de um remanescente da era dos átomos

Nicholas Negroponte "marcou um gol" quando em seu livro A vida digital (1995) dividiu a economia em duas eras: a dos átomos e a dos bits. A primeira, bricks and mortar; a segunda, e-business.

É inegável o avanço que as tecnologias (de hardware, de software, de peopleware e até de um... mindware) proporcionaram em termos de produção, eficiência e riqueza. É inigualável, também, a contribuição que a chamada T. I. trouxe ao conhecimento e àquela área que administra - ou quer administrar - o conhecimento: a educação.

Mas - sempre tem um mas - em termos de educação, há algo mais a considerar: todos nós, dos nonagenários nascidos no início do século XX aos “Y generation”, fomos educados em um sistema formal - pré-internet - baseado em escolas, disciplinas, metodologias e crivos quantitativos e qualitativos de saber – sendo, estes últimos, cada vez mais rigorosos em termos de fontes, referências, testagem e comprovação empírica.

O sistema acadêmico universal, ainda em vigor (e não diviso nem uma sombra pairando sobre ele) sempre foi uma construção coletiva de conhecimento. Cada tese de doutorado, pelo seu caráter referencial ao que fora feito antes e de adição de um conhecimento inédito, torna-se um "tijolinho" do edifício de sua área, esta bastante bem delimitada no contexto das ciências sociais, humanas, biológicas ou tecnológicas.

Há transversalidades. Saberes que desafiam o status quo compartimentado dos departamentos universitários, mas que mesmo assim têm o endereço de equipes ad hoc multidisciplinares controlado pela academia e centros de pesquisa. Mesmo as empresas que inovam com fins lucrativos alimentam-se do conhecimento que, produzido academicamente, recorre a agências de fomento muitas vezes financiadas por recursos públicos.

Bottom line

Há que se render, ainda, a parâmetros de "velha" economia dos tijolos e argamassa. Já escrevi que a universidade brasileira se reengendra ou morre, mas, por ora, seu modus operandi sobrevive, mesmo que aos trancos e barrancos.

As revistas científicas são online mas os experimentos médicos, técnicos e sociais têm que ser bastante palpáveis - passam por estudos de campo, envolvem pesquisa de opinião pública e de mercado, experimentações em laboratório e em centros de pesquisa médico-farmacêutica, passam por testes de materiais e implicam na construção de modelos aerodinâmicos aprovados em túneis de vento... e por aí vai.

O mesmo traço “físico” ocorre com o livro. Em plena passagem da era "atômica" à digital, o velho calhamaço encapado, de folhas cortadas e coladas ou costuradas, sempre foi mobile e mais, não requer bateria (poluidora) de lítio ou cádmio e nem corrente elétrica ou iluminação. Vai onde quisermos. Na noite, uma vela (acesa!) basta. Pode até ser um pouco amassado para caber no bolso do paletó. E para produzi-lo ainda se precisa de alguém que o edite. Isto dá a credibilidade inicial. A final virá da essência que o próprio conteúdo carregue - fruto de suas fontes e referências.

Blá Blá Blá “na nuvem”

A wikipedia carece muito dessa credibilidade essencial. Alguém pesquisou e encontrou 1.070.000 referências no Google para a palavra “brogue”. Muuuiiito lixo. Andrew Keen, criador de várias empresas baseadas na internet e autor do livro O culto do amador (2007) adverte: “é a celebração do amadorismo – qualquer um, por mais mal-informado que seja, pode publicar um blog, postar um vídeo no YouTube ou alterar um verbete na wikipedia. Essa anonimato da web - uma mistura de ignorância com egoísmo, mau gosto e ditadura de massas - põe em dúvida a confiabilidade da informação. E a distinção entre especialista e amador torna-se cada vez mais ambígua...”.

Eu mesmo posso relatar uma experiência nefasta. Tendo realizado uma pesquisa ao longo de anos, no interior do sistema universitário (especificamente no âmbito da USP), tive o lampejo e a generosidade de postar um texto referente aos meus achados incluindo na wikipedia um verbete sobre o "meu" tema, marketing cultural. Pois não é que um anônimo retirou-o? Nova tentativa, e novo “veto”. E o cidadão ainda direcionou os ponteiros da pesquisa de quem quer que fosse buscar na malfadada enciclopédia gratuita e virtual o termo “marketing cultural” para um canhestro conceito que o mesmo explora em seus empreendimentos, o de (sic) 'arquitetura cultural'. Um acinte – sobrepor um interesse particular a um achado legitimamente reconhecido pelo sistema acadêmico vigente. Felizmente encontrei alguém com credibilidade (no caso, a editora Ciência Moderna) para publicar o resultado de meu suado trabalho.

E não é que meus alunos de graduação na disciplina "Produção de Eventos" querem realizá-los sentados diante do computador?

Por isso, caros amigos, ainda temos que aprender e fazer muito pelos novos suportes tecnológicos do conhecimento. E enquanto não fazemos isto vigir, utilizar as regras do jogo atual da melhor maneira possível, realizando nossas pesquisas no campo (mais que na web) e publicando nossos livros por meio de alguma editora que não seja “a do autor”.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Até que enfim... a Lei Ferreira

Parece até conto da carochinha, mas a uma semana do primeiro de abril, o Ministério da Cultura, finalmente (e bota "ufa!" nisso) abriu a consulta pública (de 45 dias) que pode mudar os rumos do patrocínio no Brasil.

Sonhada por mim, querida por você, pedida por nós, clamada por vós e por todos, a reforma (sempre) anunciada e (ainda não) executada pelo governo federal já é maior de idade, uma vez que as críticas fizeram aniversário de 18 aninhos junto com a própria Lei Rouanet - e a esta altura o ex-ministro deve estar torcendo para sua "filhota" sair de casa, casar e mudar de sobrenome. Quem sabe o comprido Passos Gil Moreira ou, talvez, o mais econômico sobrenome de (Juca) Ferreira.

Deu n'O Globo

Entra ministro, sai ministro, desde 1991 se sabe que o patrocínio às artes e espetáculos no país virou oligopólio. Segundo o ministro Ferreira, 3% dos proponentes abocanharam e decidiram sozinhos o destino de 50% do (pífio) bilhão de reais da renúncia fiscal havida em 2008.

Eventual política de eventos culturais

É uma árvore de Natal aqui, um Cirque ensolarado ali, um Canecão lá, um Vibezone acolá e pronto; acabou-se o recurso do incentivo com aqueles que, convenhamos, não precisam de incentivo algum, pois que já contam com o nosso "incentivo" de servos-consumidores. E nem assim, com uma galera-mecenas de milhões de almas, a TIM deixou de chutar o balde do ex-Free Jazz Festival... ou seja, patrocínio continuado no Brasil é... vento...

Eterno sonhador, iludo-me que talvez algumas de nossas corporations, hoje tão citizens, tenham aprendido a lição do genuíno marketing cultural como um (belo e eficaz) meio de promoção institucional e relações públicas e permaneçam no mercado de patrocínio, viabilizando quem precisa de modo contínuo, não-eventual, e bem longe dos gerentes tupiniquins de marketing que, ao patrocinar um Picasso, estão, de fato, com o coração e a mente no volante de um Citroën.

Saiba mais sobre a terceira geração do marketing cultural.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"Suicídio alemão..."

>
Confesso que andava à procura de um tema para escrever em fevereiro, e não deixar o mês sem uma matéria nova no blog. Pura demanda interna. Esta, aliás, é a mais antiga das motivações de alguém que escreve - a auto-imposição. Mas fica mais fácil quando se é visitado pela musa dos escribas: a inefável inspiração.

E ela veio. Na forma de uma matéria interessante publicada na edição de hoje, 28 de fevereiro, do jornal O Globo, em seu caderno Prosa & Verso. Trata de um fenômeno bem conhecido deste que vos escreve bem como de outros colegas da faina acadêmica: a forma tosca como as editoras recusam novos autores e novas obras, independente do fato de serem potenciais best sellers ou, pelo menos, autores de algo que valha a pena sair da gaveta. Conta o autor, o escritor canadense Camilien Roy (ver íntegra em www.marketing-e-cultura.com.br/clipping / matéria de 28/02/2009), como seriam algumas pérolas emitidas pelas editoras:

"Lemos o seu livro, mas não gostamos, então pode acrescentar esta carta à sua lista."

"Assim que o senhor terminar um novo trabalho, envie-nos, pois nossa equipe de leitura está trepidando de impaciência para ler outra de suas 'obras-primas'."

"Recusei seu original para seu próprio bem. Sim! Sim! Para seu próprio bem. Seu estilo denuncia sua juventude".

"Nossa comissão de leitura é aberta, é tolerante, mas... não há o que fazer: seu manuscrito não agradou, não gostaram dele... "

"Fiquei enojado com essa obra fedorenta e pavorosa que o senhor ousou qualificar de romance."

Longo caminho entre a pena e o prelo, entre a cena e o aplauso, entre a "demo" e o disco.

Isto remete-me a uma questão recorrente em sala de aula nos últimos quinze anos em que estivemos envolvidos com as questões que transpassam os campos da arte, da comunicação, da cultura e do marketing * - se temos e discutimos obras artísticas relevantes que experimentamos, isso deve-se à argúcia, sensibilidade, senso de oportunidade - ou até, sei lá! - uma questão de cara-ou-coroa que se deu, necessariamente, fora da obra de arte em si.

Explico melhor: o artista, seja ele um poeta, autor literário, ator ou roteirista, pintor ou dramaturgo, diretor de cena ou cineasta é alguém que cria por absoluta necessidade intrínseca. O músico, o escultor, o bailarino - o artista criador, em geral - faz sua arte fundamentalmente para si. Para sua satisfação pessoal. Por uma necessidade de comunicação em que ocupa invariavelmente o posto de emissor. E isso independente de haverem ou não "receptores". Seu "público" primordial é sua própria psiqué atendida no desejo de expressar-se. De dentro para fora. A partir de sua sensibilidade e leitura de mundo. Como disse Ezra Pound, "o artista é a antena da raça".

Muitos confundem o fazer artístico com necessidade de expansão de uma personalidade narcisista com endereço certo - o outro. Isto é parcialmente falso. É natural que analisemos - como público - a arte e suas manifestações a partir da performance das mesmas. Do aplauso - ou da vaia - da casa cheia ou do fracasso de público, da crítica favorável e transbordante ou do desprezo da mídia especializada. A alteridade é uma das questões que mais interessam àqueles que se dedicam a estudar o fenômeno da fruição das artes. Afinal, as obras de arte nos "falam" aos olhos, nos "tocam" o coração, "encantam" nossa mente.

Para Benjamin, com afeto.

Mas a arte autônoma - como definida por Walter Benjamin - , naquele very first moment do atelier, do estúdio caseiro, da escrivaninha de um Carlos Drummond de Andrade, provida de uma aura única, é obra privada que pode - ou não (e é disto que queremos tratar com mais ênfase) - ganhar o mundo, o público, a consagração ou o apupo da reprovação.

É sobre esta obscura e pouco conhecida fase que se dá entre o ponto final do romance ou do poema e sua publicação que repousa o mistério que atrevo-me a tentar trazer às claras, e que tem sido objeto de inúmeros colóquios, seminários e oficinas, tanto no espaço acadêmico quanto fora dele.

Como bem descreve Umberto Eco em seu fundamental "Obra aberta", a obra de arte encerra seu ciclo de vida quando fruída. Pouco ou nada valem o poema que morreu na gaveta, a sinfonia jamais gravada, o quadro encerrado no atelier para sempre. É preciso que o corpo de balé "aconteça" diante da plateia, que a ópera ganhe a estreia, os livros pelo menos a edição de lançamento e o roteiro o tão difícil financiamento para produção e distribuição.

É como a experiência por mim vivida a partir da doação do acervo de Manoel Maria de Vasconcellos à UERJ. No meio de toda aquela papelada havia dois originais: uma tese de livre docência que, apesar de aprovada com conceito "A", a PUC-Rio não editou e o manuscrito - inédito - de uma verdadeira teoria do comportamento do consumidor. Graças aos céus pude ser um elo na cadeia que levou esses textos da morte anunciada ao conhecimento público - ainda que singelo - pelas mãos da Conceito Editorial, a qual aceitou investir no incerto e dispendioso mercado editorial brasileiro. O primeiro livro, "Marketing Básico", lançado em 2006, teve sua edição esgotada - o que augura uma segunda para este ano. O outro, manuscrito em fase de editoração e revisão técnica, pré-intitulado pelo autor "Por que se compra", deve ganhar a luz em 2010. Vida longa aos - raros - empreendedores brasileiros da arte e da cultura!

Não me canso de citar também a recusa recorrente à minha proposta de levar disciplinas de produção às escolas de formação de artistas. Instituições como USP, UNICAMP, UNESP, UFRJ e UERJ esmeram-se em formar artistas mas nenhum perfil que se interesse em saber como o trabalho de atores ou músicos pode ser desenvolvido, não só como carreiras individuais mas também como proposta estética e produtiva de uma escola, institucionalmente. Vivi a experiência de ver a Orquestra de Música Brasileira (da qual tive a honra de co-participar em produção de espetáculos e gravação de disco) sucumbir sem qualquer apoio profissional ou profissionalizante da universidade que a viu nascer.

Outra história ou o senhor é o "famoso" quem?

Em São Paulo, ano 2000, por cortesia de um amigo jornalista e assessor de imprensa de importantes organizações, utilizei seu escritório contatando três dezenas de editoras a oferecer o manuscrito de minha tese de doutoramento desenvolvida na USP e versando, justamente, sobre marketing cultural. As respostas das editoras não poderiam ser mais iguais que as de uma secretária eletrônica onipresente: - o senhor é o famoso quem? Para em seguida emendar cortantes: - o senhor envia o seu original e nós temos seis meses para dizer se vamos ou não publicar. Nada mais burro, em minha opinião. Eles podiam estar diante de um mega seller! Piada. Mas hoje estou com o livro editado já há sete anos em uma casa editorial que prepara a terceira edição do livro proveniente da tese: "Marketing Cultural: das práticas à teoria".

Quantos livros maravilhosos deixaremos de ler porque sequer serão avaliados por uma editora? Quantos roteiros verdadeiramente originais (adaptados ou não de livros) jamais assistiremos na sala escura ou mesmo em vídeo porque sequer foram objeto de análise de algum estúdio? Quantas músicas de genuína qualidade deixaremos de ouvir porque nunca serão gravadas? E quantas peças jamais ganharão a cena? Lemos muito, ouvimos bastante música, vamos com frequência ao cinema, mas é inegável pensar que o que podemos fruir, mesmo em uma longa vida, é pequeníssima parcela do que o espírito humano já criou e ainda pode criar. Dessa angústia do não lido, do não visto, do não fruído, com alguma ironia, costumo dizer ser, este sim, caso que poderia dar "num verdadeiro suicídio alemão".

* O autor concebeu e coordena, na UERJ, os cursos "Marketing do Livro" (reciclagem em 30 horas), "Gestão e Marketing na Cultura" (aperfeiçoamento em 180 horas) e "Marketing Cultural: Teoria e Prática" (atualização em 75 horas), este último criado em 1994.
>

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

"CONVERGÊNCIAS ENTRE COMUNICAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO": Lançamento no Rio de Janeiro em 3 de dezembro de 2008

No último dia 3 de dezembro, na MegaStore da Saraiva no Shopping Rio Sul, Marcondes Neto lançou, pela Conceito Editorial, seu mais novo livro "Relações Públicas e Marketing: convergências entre Comunicação e Administração". Para o administrador Plínio João de Sousa, "esta obra do professor Marcondes desenvolve uma abordagem matricial das interseções entre as áreas de conhecimento da administração (marketing) e comunicação (relações públicas)". Já para o relações-públicas Luiz Fabiano Nericke Correia de Sá, o livro "é de grande valia para quem quer entender o ambiente comunicacional do século XXI, no qual os limites entre emissor e receptor estão cada vez mais tênues e os canais são mais diversos e acessíveis que em toda a história da humanidade".

O evento contou com um "pocket papo" entre o autor e a jornalista Terezinha Santos, também consultora e professora de Comunicação Social, o qual versou sobre diversos temas abordados no livro, tais como a integração necessária entre comunicação e administração, assessoria de imprensa, produção cultural, ensino de comunicação e a onipresença do marketing, entre outros.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

TV é eletrodoméstico. O resto é selva.

Viagem de ônibus para São Paulo. Ônibus "executivo". Ar condicionado. Jornal O Globo... e aparelhos de TV pendurados no teto. A tela está preta e eu, secretamente, torço para que assim permaneça.

Eis que de repente - não! - os equipamentos saem do silêncio. Estou na primeira fila, ou seja, não vejo a tela da TV que pende sob a cabeça de meu companheiro de viagem, à esquerda. Insisto em olhar para a "paisagem" da avenida Brasil.

Começa o filme. A temática: adultério. O horário de início da viagem: 14 horas. Crianças a bordo estão vidradas na telinha. A telinha que eu não vejo. Só ouço. Discussões intermináveis entre traídos e traidores. É insuportável só ouvir a um filme. Dublado.

A tortura segue por uma hora e meia quando, de repente, algo acontece com o DVD-player do ônibus e o filme "sai do ar". Para nunca mais voltar. Ufa! E pelo comentário entreouvido, parece que isto acontece muito. Ou seja, mesmo quem quer, não consegue assistir ao filme até o final.

Pano rápido.

Vou a um consultório de radiologia. Há adultos, jovens e crianças na sala de espera. E lá está ela, a televisão. Pendendo no "giro-visão". Invariavelmente ligada e sintonizada no "vale a pena ver de novo". Pergunto-me: vale? Som altíssimo. Ninguém reclama. E não é que estamos todos - pacientes - "quase em família" assistindo a uma produção apropriada a maiores de 16 anos no horário dos dez aninhos? Intimidades explícitas. A senhora, na extremidade do sofá que ocupo, sorri amarelo. Um camarada começa a fazer comentários sobre os dotes físicos que aquela tal atriz "já teve um dia"... - os anos passam para todo mundo, não é?! E fita a atendente com cara de poucos amigos.

Corte para uma última cena.

Jantar no descoladinho bar de Ipanema. Além de couvert e caipirinha, com o que nos recebem? TV Globo, ora. Afinal é horário da telenovela favorita da moçada. Pergunto ao maître por que, meu Deus, instalaram naqueles três cantinhos simpáticos uns LCDs enormes?

- É o ibope, doutor... O pessoal pediu e o dono atendeu. Todos os bares e restaurantes têm que ter TV hoje em dia. Tanto que a Net já criou até um "precinho" especial para casas noturnas...

Agora, a esta altura da madrugada, o que aparece nos telões é um jogo do campeonato espanhol. Sem som. Tenho a impressão de que ninguém está vendo aquilo. Mas a partida continua... "sem intervalos". Só os "da casa": - SPORTV, o canal campeão! - Canais Globosat! - O mundo é dos Nets! - Só este mês... "degustação" de todos os canais... de graça!

Não sei não... estou pensando em criar um movimento pelo retorno da TV ao status de eletrodoméstico. Daquele tipo que se tem em casa e que se usufrui no aconchego do lar, sozinho ou acompanhado, mas sem o constrangimento de assistir em público, ao lado de estranhos, às mais recentes "obras" dos dissolutos autores e diretores da nossa televisão - e ainda tentar achar tudo isso muito normal.