quinta-feira, 9 de maio de 2019

CARTA ABERTA AOS PROFISSIONAIS RELAÇÕES-PÚBLICAS DO BRASIL.


 1. Eu confesso: a vaidade tomou conta de mim quando convidado por um amigo
 querido a participar da Chapa 02 ao Conferp (Conselho Federal de Profissionais de
 Relações Públicas). Minha leitura à época foi a do reconhecimento por mais de 40
 anos por mim dedicados às causas das nossas formação e profissão.
 2. É público, há muito tempo: o meu intransigente posicionamento quanto ao valor
 da Lei 5.377/1967, do seu consequente Registro Profissional exclusivo de bacharéis
 em RP, da Responsabilidade Técnica inerente, e da necessidade do estrito cumpri-
 mento do papel regulatório-fiscalizatório pelo Sistema Conferp-Conrerp.
 3. Encheu-se de alegria o meu coração: na posse dos conselheiros federais, ao lado
 de treze vibrantes e bem-intencionados colegas de profissão, a 26 de janeiro último,
 em Brasília. Antes disso, no Rio de Janeiro, junto ao Conrerp1, municiara-me de
 dados para trabalhar pela integração do ‘modus operandi’ do Sistema, nacional-
 mente; algo absolutamente necessário e para o qual eu me julgava preparado para
 fazer. Presidente, secretária-geral, secretária executiva e assessora jurídica do
 Conrerp1 são testemunhas.
 4. Surpreendi-me, porém, já na primeira reunião plenária do Conferp: no dia
 seguinte à posse, 27 de janeiro último, não recebendo resposta afirmativa do
 grupo reunido quando indaguei – de viva-voz – se julgávamos ou não, todos ali
 presentes, o nosso Registro Profissional, o Sistema Conferp-Conrerp, e o vigente
 regramento de formação superior em Relações Públicas, como Ativos, genuíno
 Patrimônio nosso.
 5. Choquei-me com a afirmação formalmente apresentada pela Diretoria: na mesma
 plenária, citando ‘provável/possível mudança de denominação do bacharelado em
 Relações Públicas’. (Por que?). E, também, com o retorno de uma ultrapassada linha
 de debate (que já consumiu pelo menos dois mandatos federais) sobre ‘abertura da
 profissão’, ‘flexibilização da concessão do registro de RP a não bacharéis em RP, e
 uma suposta ‘atualização da Lei 5.377’; esta última, ‘atualização de lei’, coisa que
 simplesmente não existe.
 6. Decepcionei-me por não ter logrado obter, por longos dias: qualquer comentário –
 positivo ou negativo – sobre proposta conceitual inicial (por mim entregue impressa
 a todos, em 27/01) a qual elaborei sugerindo papel de ‘Internal Affairs’ para a
 Corregedoria; posição que eu – eleito para tal – viria a assumir no Conferp.
 7. Capitulei, finalmente: quando, em 08 de fevereiro último, data em que nossa
 primeira plenária à distância se deu, por Skype, testemunhei um ‘score’ de votação
 se inverter para atender a uma proposta (em minha opinião inaceitável) de que o
 (virtualmente deficitário) Sistema Conferp-Conrerp ‘financiasse’ passagens de um
 membro de (afluente) associação privada (em sua própria série de eventos), sob
 alegada ‘parceria’ (até então informal e, alegadamente, ‘iniciada’ em gestão anterior
 – o que não procede).
 Oficiei à Presidência do Conferp, no imediato dia subsequente, 09/02/2019, minha
 renúncia à função de Corregedor e meu requerimento de licença de membro efetivo,
 nos termos do Artigo 14 da Resolução Normativa 49, de 22/03/2003 (com suas
 alterações). Ref. MEMO 09/2019 - Assistente da Diretoria Conferp.
 Esclareço que permaneço na gestão 2019-2020-2021 até o seu final, legalmente
 corresponsável por acertos e erros até 25/01/2022, porém na condição de 
 conselheiro suplente e sem qualquer atividade deliberativa.
 Sei que desaponto colegas relações-públicas que, eventualmente, tenham tido
 na minha presença alguma parcela da razão de seu voto na Chapa 02. Ressalto,
 porém, que nada há que desabone a todos e a cada um de meus treze colegas de
 mandato; os quais respeito apesar das discordâncias que tardiamente descobri
 incontornáveis. Acrescento que não pretendo abrir ou manter debate público
 sobre os fatos aqui narrados.

 Rio de Janeiro, 09 de maio de 2019.

 Manoel Marcondes Machado Neto, Reg. 3474/Conrerp1.
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segunda-feira, 25 de março de 2019

Sobre piar no Brasil...

1) Reforço o uso da sigla RP ao invés de PR no Brasil por uma questão de anti-colonialismo e porque este uso, muitas vezes, quer disfarçar o repúdio pela profissão regulamentada no país, franqueando o exercício de PR a qualquer um. Recente campanha da própria ABRACOM - 'Somos Todos Comunicação Corporativa' - baseou-se neste mote

2) A incompreensão sobre comunicação institucional e a incompetência no ensino desta disciplina (apesar da mesma ser a nossa especialidade por lei) - é um problema que não afeta os países anglófonos, onde o cidadão comum sabe diferenciar um 'statement' institucional de um comercial.

3) PR - nos países anglófonos - é sinônimo de 'media relations' (relações com a mídia, sucedâneo mais amplo de relações com a imprensa). Assim, aliás, nasceu a profissão, a partir de um jornalista - Ivy Lee - que, ANTES, abandonou a Redação para, então, oferecer seus préstimos às organizações necessitadas de 'publicity' (divulgação).

4) Em Portugal, pátria-mãe da lusofonia, é crime tipificado um jornalista praticar a 'dupla militância', ou seja, traficar sua influência junto às Redações para beneficiar 'clientes'. (Deveríamos adotar este parâmetro no Brasil, em minha opinião). Justiça seja feita; a ABRACOM condena a 'dupla militância'.

5) No Brasil, único país onde tem sentido a expressão "assessoria 'de imprensa' (sic)", esta atividade foi assumida historicamente por jornalistas. Daí a expressão - e até denominação de uma associação - de jornalistas-em-assessoria (JAI). Não sendo tipificado o ilícito da dupla militância tal modelo se perpetuou (e eu, por exemplo, 'não brigo mais esta briga' desde 2008).

6) O estatuto acadêmico da área em nosso país privilegiou outras atividades no âmbito da formação (e exercício) das Relações Públicas. Isto está bem demonstrado no célebre diagrama circular proposto por Margarida Kunsch em 2003, na edição revisada do livro originado em sua dissertação de mestrado (de 1986) - o qual explicita o modelo compreensivo da Comunicação Integrada. Ali, assessoria de imprensa é apenas uma atividade em 17 listadas pela professora que, aliás, foi minha orientadora no doutorado, a quem muito admiro e sou grato.


7) Em 2012, a partir de minha imersão nas questões do ensino de RP como coordenador da Comissão Acadêmico-Científica do Conrerp1 (visando colaborar com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais - então em gestação no MEC), propus um passo adiante na compreensão da abrangência das RP brasileiras - analisando-as pelo viés das demandas e não mais das 'tarefas' - e representando-as com o composto de '4 Rs' do que chamei de 'Relações Públicas Plenas' - Reconhecimento / Relacionamento / Relevância / Reputação. E listei, em diagrama, 24 atividades distintas - sendo 'Divulgação' (Publicity), apenas uma delas. Tal modelo foi publicado em livro - adotado em concursos públicos recentes - que foi traduzido para o idioma inglês justamente para explicar ao mundo o caráter absolutamente holístico que preside a formação dos RPs brasileiros. E o termo 'Relações Públicas Plenas' foi traduzido pela expressão 'Full PR' - como não poderia deixar de ser.

A seguir: o link para o diagrama de '4 Rs' traduzido - www.fullPR.net
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sábado, 6 de outubro de 2018

#FORA_LÍDER_FASCISTA!


O jornal O Globo publicou, em sua edição de 04/10/2018 (P. 23), uma entrevista com o filósofo político Jason Stanley, da Universidade Yale.

O professor é um estudioso de formas contemporâneas de fascismo e acaba de lançar o livro 'How fascism works: the politics of us and them'. Sendo Donald Trump seu alvo preferencial, a obra promete ser um 'best seller'.

Conhecendo as redações brasileiras, coalhadas de esquerdistas-lulistas, o desavisado leitor poderia pensar tratar-se de (mais) um libelo contra Jair Bolsonaro.

A entrevista desviou-se do alvo pré-escolhido, mas o editor-chefe mandou publicar assim mesmo. Também, pudera, deve ter pensado... - Quem lê tanta notícia?

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Aqui, a íntegra da entrevista encomendada. Seguem trechos escolhidos da mesma:

Quais seriam as maiores características do fascismo?

- É um certo modo de se fazer uma distinção entre 'nós' e 'eles'. Muitos modos de fazer política usam essa distinção — a política de esquerda, por exemplo, se baseia em uma distinção de classe. Na política fascista, você faz reivindicações machistas, patriarcais e racistas. Você apela ao nacionalismo, à identidade de raça e à hierarquia...

Indago eu: No Brasil, quem inaugurou o discurso 'nós contra eles'? Quem culpou uma 'elite de olhos azuis'? Quem classificou suas partisans de 'mulheres do grelo duro'? Quem se apresenta como um 'paínho'?

- Meu livro é sobre como algumas pessoas usam determinado tipo de tática política para chegar ao poder. As políticas fascistas correm o risco de levar a governos fascistas, porque, quando as pessoas chegam ao poder, elas são tentadas a tornar o que dizem realidade.

Indago eu: No Brasil, quem repete sempre que realizou coisas que '... nunca antes, neste país? Quem se autodenomina 'uma ideia', conclamando que todos 'sejamos Lula'?

- O fascismo diz respeito ao poder e ao líder do país. O pai cria um medo avassalador. Ele usa as ondas de crime, as condições disponíveis, ou as inventa.

Indago eu: Quem patrocinou o maior sistema de corrupção do Estado na história do mundo? Quem disse que 'de nada sabia' e entregou seus comparsas de 'mensalão' já em 2005? Quem continuou provocando as 'ondas de escândalos' com 'petrolão' e 'BNDESparzão'?

- Você apresenta toda falação e negociação como fraquezas. Um homem de verdade age, ele não pensa ou escolhe, nem lê livros.

Acredito que não haja mais necessidade de comentários. O autor simplesmente  'psicografou' os 8 anos de Lula no poder.

Imagem: Edwin Tse.
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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Página não encontrada...


Hoje pela manhã, ouvindo Ricardo Boechat no rádio do carro, peguei um finalzinho de comentário que citava matéria publicada na Folha que traria notícia do regozijo de alguém frente ao incêndio que consumiu o Museu nacional, em 2 de setembro último.

Interessado no assunto, uma vez em casa, fui atrás da edição digital da Folha. Li e pasmei diante da seguinte 'matéria':

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/pequeno-circulo-de-poder-celebrou-fogo-no-museu-nacional.shtml

Matéria paga, bem entendido. Se a UFRJ não comprou o espaço, certamente a Folha de S. Paulo vendeu-se ao PSOL - sigla que abriga a Administração Central daquela universidade. Não é preciso ser tucano ou petista para saber que o que falta na questão da perda irreparável ao país é a responsabilização do autor do texto-jabá, o atual (des)reitor da UFRJ, juntamente com sua 'diretoria' do Museu Nacional. Se houve quem comemorou a 'queima de arquivo foram esses.

Rick Seabra, no Facebook:

Para o Museu do Crato, o IBRAM e nada eram a mesma coisa. Claro que me preocupo com esta nova agência e gastos em altos salários. Mas o que os museus precisam é de dinheiro MENSAL DE MANUTENÇÃO (um conceito que não existe na máquina pública). Antes de tomar alguma posição eu queria saber QUANTO o IBRAM custava para se manter e QUANTO repassava por mês para os seus 27 museus.

Eu, em comentário:

Como não sou regido pelo mote 'Fora Temer', ouso dizer que ambas as medidas são respostas - até rápidas - do Brasil oficial (no caso, o Governo Federal, goste-se dele ou não) à tragédia da (indi)gestão da UFRJ somada à inútil - e curta - vida de um instituto que foi criado por Lula para dependurar apaniguados, e que nenhuma contribuição trouxe ao setor (ouçamos o MinC sobre esta extinção).

A tribo dos fora-temer, que não consegue encontrar outro mote na vida, criticou a medida alegando 'desmonte' e falando em 'cabides' na ABRAM proposta. Ora, é público e notório que o IBRAM, este sim, foi mais um armário cheio de cabides e vazio de ações. Uma agência no formato proposto é uma das vias que, no mundo civilizado, permitem cooperação entre governos, empresas e terceiro setor na preservação de patrimônio museal.

Claudio Manoel, no Facebook:

Ainda um pouco mais sobre o PSOL (Partido Socialista do Leblon - copyright meu): fui brincar falando sério num post anterior e logo apareceu gente pra passar pano: “mas era só um filiado”. Eu sei: o fato do esfaqueador ter sido do PSOL e agora ser fã do Daciolo (assim como o próprio Daciolo), não quer dizer nada... nada mesmo !

Eu, em comentário:

Quando fui visitar o Museu do Ipiranga há três ou quatro anos atrás e dei com a cara nos tapumes, não me revoltei. Isto deve ser exemplar: fecha-se, remove-se e protege-se o conteúdo, reforma-se - para, só então, abrir as portas novamente.

Parabéns à USP por sua atitude corajosa.

Vergonha - o comportamento institucional da UFRJ com relação ao Museu Nacional.

Solidarizo-me com os colegas pesquisadores e professores. Dói. Infelizmente, também fui mantenedor de um patrimônio hoje em cinzas por atitude de gestores criminosos que me sucederam.

Sendo de São Paulo, o Museu Nacional não ocupou este espaço de mais-ir quantitativo do que o Museu do Ipiranga. Mas nas férias - sempre passadas no Rio - era "o" lugar.

D. João VI legou-nos outros lugares assim: o MNBA e o Jardim Botânico.

Mas o Museu Nacional, já aqui, diariamente no meu caminho para a UERJ, era uma presença, algo que estava sempre lá a lembrar-me de origens, caminhos, descaminhos e legados culturais.

Também prego a impermanência como consciência individual necessária mas, para nossos filhos, como - agora - apresentá-los ao Brasil?

O país cometeu um suicídio no domingo. Como se portar, como filho, numa circunstância como esta, da falta de um pai, uma mãe? Estou zonzo ainda e não sei o que fazer ou, sem casa, para onde ir.

LINK - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10214433528404910&set=a.3053346525548&type=3&theater

Mais:

Monica Waldvogel, ontem, no 'Em Pauta', detalhou bem os números, e responsabilizou, no ar, o (des)reitor.

No fundo de sua alcova, creio, ele está exultante: 'fora família real!', 'fora memória dos dominadores eurocêntricos!', 'fora escravagistas!', 'nunca antes de Lula houve este país!'.
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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Advertência!


'Alguém descobriu a água, e não foi o peixe'. A frase atribuída a Marshall McLuhan, nosso papa particular - na Comunicação - chama atenção para este meu singelo toque 'de outsider geracional' em relação à maioria (acho) nesta lista: muito cuidado com o atual 'frenesi digital' - o mundo continua povoado de pessoas cada vez mais necessitadas de contato humano (de tipo 'RP': nosso principal ativo profissional) em contraponto à imposição pós-pós-industrial que a indústria da tecnologia pauta. 

A inteligência natural de bilhões (de seres) deveria receber investimentos maciços de bilhões (de dólares) ANTES da artificial. 

Assumamos - com coragem - a nossa essência diferencial (sem, claro, deixar de dominar todas as ferramentas tecnológicas disponíveis): se o marketing e o branding agora estão digitais, as RP sempre foram - e sempre serão - humanas e pessoais. 

É isto que nos faz (e fará) ser úteis e necessários.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Para quem ainda não viu e ouviu sobre o composto de '4 Rs'...

... Resumo das Relações Públicas Plenas (RRPP) - aqui, com a luxuosa trilha sonora de Tavynho Bonfá:

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